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Atacarejo pode sentir primeiro efeito do fim das bets, mas dívidas limitam volta ao consumo

Publicado em: 01/10/2026 15:23
Atacarejo pode sentir primeiro efeito do fim das bets, mas dívidas limitam volta ao consumo
O atacarejo deve ser o primeiro segmento do varejo a sentir algum efeito da redução dos gastos com as bets, que foram proibidas de operar no país por meio de medida provisória no dia 25. Segundo análise da Eleven Financial, o perfil dos apostadores ajuda a explicar o potencial impacto sobre o consumo: antes da suspensão, o brasileiro que apostava perdia em média R$ 122 por mês, e, em 2024, 52% dos 22 milhões de apostadores estimados pelo DataSenado recebiam até dois salários mínimos. Segundo a SBVC, 19% dos apostadores reduziram compras em supermercados e 23% cortaram as de roupas. O relatório aponta maior exposição do atacarejo a consumidores de baixa renda, para quem os R$ 122 mensais representam uma parcela mais significativa do orçamento, e destaca que alimentos estão entre os gastos reduzidos por apostadores. Assaí e Grupo Mateus são as empresas mais bem posicionadas para sentir a mudança, mas o dinheiro que deixar de ser gasto com bets não deve chegar integralmente às lojas: o endividamento dos apostadores e os juros altos podem fazer com que parte dele seja usada para pagar contas e dívidas. Os dados de crédito reforçam essa leitura. Segundo o Ifepec, 81% dos apostadores têm dívidas, dos quais 74% estão com pagamentos atrasados, e 23% dizem apostar para pagar dívidas. Entre quem começou a apostar em 2025, a inadimplência é 20% maior, o atraso no cartão 38,7% maior e o limite de crédito 16% menor do que entre pessoas parecidas que não apostam, de acordo com estudo de Stone e Insper. No Sicredi, a inadimplência entre apostadores é 40% maior. Segundo o relatório, famílias com dívidas e pagamentos atrasados tendem a priorizar a reorganização financeira antes de ampliar o consumo. Além do atacarejo, vestuário e comércio eletrônico aparecem entre os segmentos que podem ser beneficiados pela redução dos gastos com apostas, mas por um caminho mais longo: são setores que vendem parcelado, e o alívio no orçamento só vira venda quando a família volta a ter crédito e disposição para financiar compras. Segundo a SBVC, 23% dos apostadores reduziram as compras de roupas em 2024. Na lista de empresas acompanhadas pela Eleven estão Lojas Renner, Riachuelo e C&A, no vestuário, e Magazine Luiza, Mercado Livre e Casas Bahia, no comércio eletrônico. A medida provisória tem 120 dias para ser analisada pelo Congresso, e o relatório prevê que uma eventual reversão ou redução do alcance da medida pode alterar o efeito esperado sobre o varejo. Uma reversão significaria a derrubada da medida, permitindo a retomada das operações abrangidas; já uma “desidratação” ocorreria caso a MP fosse aprovada com alcance mais restrito ou aplicação limitada. Nos dois casos, o potencial de transferência de recursos das apostas para o consumo seria menor ou mais lento, com alterações que reduzissem o alcance da suspensão, criassem exceções ou adiassem sua aplicação podendo diminuir ou postergar os recursos potencialmente direcionados ao consumo.
FONTE ORIGINAL:
https://www.sincovaganoticias.com.br/atacarejo-pode-sentir-primeiro-efeito-do-fim-das-bets-mas-dividas-limitam-volta-ao-consumo
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