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Endividamento das famílias cai pela 1ª vez no ano; inadimplência recua nas menores rendas e cresce nas maiores

Publicado em: 08/10/2026 17:52
Endividamento das famílias cai pela 1ª vez no ano; inadimplência recua nas menores rendas e cresce nas maiores
O endividamento das famílias brasileiras recuou pela primeira vez desde dezembro de 2025, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC. A parcela de famílias com algum compromisso financeiro a vencer passou de 82% em agosto para 81,7% em setembro, interrompendo uma trajetória de alta que havia levado o indicador a 82,2% em abril e maio. A CNC projeta que o ano termine relativamente estável, em torno de 81,5%. No mesmo período, a inadimplência recuou de 29,9% para 29,6% das famílias, com desempenho melhor que um ano antes (30,5%). A parcela de famílias que declara não ter condições de pagar as dívidas atrasadas ficou estável em 12,5%, e o grupo considerado muito endividado cedeu de 17,9% para 17,3%. Aumentou, porém, o tempo médio de atraso: 65,3 dias em setembro, segundo mês consecutivo de alta e o maior patamar desde novembro de 2024. Além disso, 48,9% das dívidas em atraso já estavam vencidas há mais de 90 dias. A melhora não foi uniforme entre faixas de renda. Famílias com renda de até três salários mínimos viram a inadimplência recuar de 38,8% para 38,5%; as faixas de três a cinco e de cinco a dez salários também registraram pequenas quedas. A única exceção foi a faixa acima de dez salários mínimos, em que o indicador subiu de 14,9% para 15%. Para a economista Juliana Inhasz, professora do Insper, o aumento entre famílias de maior renda não necessariamente indica deterioração financeira, podendo refletir a escolha de parcelar compras enquanto o dinheiro permanece aplicado em investimentos de renda fixa. A economista também aponta programas de renegociação de dívidas e a resiliência do mercado de trabalho como possíveis fatores da melhora geral, sem ver na queda dos juros a principal explicação. Mesmo com o recuo nos indicadores, o orçamento das famílias segue pressionado. Em média, 29,6% da renda é destinada ao pagamento de dívidas, e 19,4% das famílias comprometem mais da metade da renda mensal — o maior percentual desde fevereiro. Ao mesmo tempo, cresceu a participação de dívidas com vencimento superior a um ano, que atingiram 33,8% do total em setembro. Para a economista, prazos mais longos podem aliviar o peso da parcela no curto prazo, mas prolongam o comprometimento da renda, e a renegociação não significa necessariamente que a dívida desapareceu. No conjunto, os dados sugerem que a queda do endividamento ainda é pequena e que o aumento do tempo médio de atraso mantém atenção sobre a qualidade da carteira. A economista reforça que, para famílias de menor renda, a previsibilidade do rendimento importa tanto quanto o valor recebido, e alerta para o uso do limite do cartão de crédito como extensão da renda e para o parcelamento de consumo imediato, que cria compromissos para meses seguintes sem correspondente benefício ao orçamento.
FONTE ORIGINAL:
https://www.alagoas24horas.com.br/1767000/endividamento-das-familias-cai-pela-1a-vez-no-ano-inadimplencia-recua-nas-menores-rendas-e-cresce-nas-maiores
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